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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Assim como a Fênix.

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Quando comecei a escrever essa matéria me lembrei da Ave Fênix, a qual renasce das cinzas, não que eu tenha chegado a virar cinzas, mas metaforicamente posso dizer que cheguei perto.
Um breve resumo se faz aqui necessário, ao sair de um grande escritório o qual gosto muito, e por medo de ficar desempregado, aceitei uma proposta de emprego em Porto Alegre e fui então do Interior de SP para lá e talvez precipitado, não sei, errei, pois gastei mais do que devia e decidi depois de alguns meses voltar.

Sempre fui ligado à família, sempre fui de poucos amigos, mas tenho zelo pelos poucos que tenho e, claro, aqueles que realmente confio, senti uma grande falta deles. Voltei e foi uma aventura, pois na volta estava inclusive com a CNH vencida e nem tinha me dado conta disso, fui parado pela Polícia Federal e com o carro cheio de coisas e dois cachorros, não podia dali sair, foi quando as coisas começaram a mudar e graças à Seguradora, gentilmente entenderam minha situação e voltei então guinchado para casa praticamente. 
Desempregado, sem dinheiro, com a CNH vencida, nome sujo, dívidas e mais dívidas, a única coisa que pensava era arrumar um novo emprego, e, para não surtar, aceitei fazer diligências e audiências como correspondente jurídico ganhando valores irrisórios, mas que me mantiveram por um tempo, o básico do básico, claro, e as contas viraram uma grande bola de neve e quase perdi inclusive o carro, se não fosse pela ajuda da minha mãe e amiga, teria realmente o perdido.
Pois bem, depois de praticamente um ano no sufoco, consegui um emprego em São Paulo Capital e lá fui eu, morando no Interior, fiquei na casa de um outro querido amigo durante a semana e na sexta voltava para minha casa. Nesse período, quando consegui o emprego, também comecei a namorar e talvez isso tenha me fortalecido de uma certa forma para não fazer com que eu simplesmente desistisse de tudo.
Seguiu-se alguns meses dessa loucura de Interior - São Paulo, trabalhando em um escritório no qual não era nenhum pouco valorizado, fiscalizavam até o horário que fazia de almoço, chegando ao absurdo de ser chamado a atenção por ter chego quinze minutos depois do horário. Fiscalizavam até as peças mais simples que eu fazia e então me senti um lixo, totalmente desvalorizado e claro, resolvi largar aquilo para lá e voltei de vez para o Interior para o então serviço de correspondente jurídico o qual dava aquela amenizada no sufoco que passava.
A busca incessante por um novo emprego, me fez sair pedindo indicações para quem fosse que surgisse na minha frente, até que uma colega advogada me indicou para um escritório aqui de Itu, e então, passados umas semanas do envio do currículo, lá fui eu para mais uma entrevista, e para minha alegria, sai da entrevista já contratado e comecei no dia seguinte.
Pela primeira vez em mais de dez anos de profissão tive a minha própria sala e me senti valorizado, pois acreditaram e confiaram em meu trabalho, dando o devido valor ao mesmo.
Ainda não ganho como naqueloutro escritório que estava antes de ir para Porto Alegre, mas tenho sossego, respeito e valorização. 
Logo após o emprego, fui chamado no Fórum para dar início a um Projeto que estava parado, meu Projeto de Adoção. E eu pensei, meu Deus, logo agora que eu acabei de arrumar um emprego, mas vamos lá ver no que isso vai dar. E lá fui eu, e quando dei por mim, me vi pai.
Então, posso dizer que o ano de 2017 foi o ano em que eu renasci, foi o ano que eu comecei sem nada, e veio o namorado, o emprego e o filho e hoje eu me vejo, como diz minha irmã, o "pai dos gatos", pois acreditem, até gatos que eu até certo tempo atrás não gostava, hoje tenho um casal e os amo. 
Assim como a Fênix que renasce das cinzas, eu renasci para seguir adiante e crescer novamente, coloquei o trem de volta aos trilhos e agora estou arrumando a bagunça que ficou com a queda dele, mas com um diferencial que me dá forças para continuar, agora eu tenho uma família, a minha família. E apenas uma palavra me vem à mente, GRATIDÃO. 
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016.

Precisava estar totalmente calmo para poder contar para vocês o que foi o ano de 2016 para mim.
Começarei por fevereiro de 2016, quando eu decidi me desvencilhar de um escritório aonde eu estava há seis anos. Um local de trabalho que eu adorava, porém, o qual se tornou um inferno a partir de agosto de 2015, quando resolveram criar um cargo que não existia e colocaram como Gestora, uma advogada do tipo que acha necessário ter de mudar tudo para o jeito dela e daquelas que procuram pelo em ovo para implicar com o seu trabalho, do tipo que pede as coisas mais inusitadas possível e quando você pergunta o motivo, apenas responde: "faça apenas o que estou lhe pedindo". Ou que lhe pede, por exemplo, para fazer um manual com os horários de atraso de cada Vara dos Fóruns da Capital de SP.
Enfim, eu tentei, continuei de agosto até fevereiro, porém, resolvi sair, depois de até conversar com a Diretoria do escritório, em vão claro, pois talvez as costas dela sejam mais quentes do que todo o meu trabalho desenvolvido e elogiado por clientes inclusive durante aqueles seis anos.
Saindo deste escritório, aonde eu comecei como um audiencista e depois passei para coordenador dos correspondentes e dos audiêncistas, fui convidado para integrar uma empresa de logística jurídica a qual inclusive coloquei naquele escritório anterior.
Pois bem, aceitei o desafio, apesar de ter reduzido o quanto eu ganhava no outro escritório e mais, desafio ainda maior com a mudança de Estado, de São Paulo para o Rio Grande do Sul. Mudança radical e lá fui eu para este novo desafio.
O ambiente era totalmente diferente daqueloutro o qual eu estava acostumado, porém, não economizei esforços para tentar me adaptar, levei comigo inclusive, minha assistente, a qual também havia saído do outro escritório quando descobriu que eu iria sair. Talvez uma das grandes decepções do ano, pois não tive ajuda nenhuma dela, muito pelo contrário, o trabalho o qual era excelente praticamente virou um lixo e fui inclusive obrigado a demiti-la, pois é, vejam só, eu a levei e no fim a demiti e ela retornou para São Paulo.
Minha vida se tornou uma chatice e eu não mais advogava e ainda estava longe da minha família, sequer terno e gravata eu precisava usar, ou seja, poderia pegar minha OAB e joga-la fora, pois de nada ela valeria naquele trabalho como Gerente de Redes, ou seja, eu coordenava uma equipe a qual tive o prazer de formar, mas não advogava mais. E além de tudo, quem eu era? Apenas mais um, estava longe de tudo o que tinha construído e da minha família.
Em meados de junho decidi retornar e novamente foi uma loucura, pois rompi contrato de locação, entre outras desventuras, e em julho voltei, porém, não deixei de trabalhar para esta empresa, digamos que apenas mudei o meu status, de Gerente de Redes para um correspondente.
Passei a ser correspondente jurídico, de coordenador eu virei um coordenado, de um salário de quase sei mil reais em fevereiro, eu passei em agosto para cerca de três mil, com contas, dívidas, nome indo para o espaço, início de depressão, emagreci, talvez até envelheci mas tenho certeza de que amadureci.
E de julho até o presente momento eu posso dizer que cresci como correspondente, pois além deste, fui pegando outros escritórios, adquirindo novos clientes e o mais importante, com o apoio e ao lado da minha família novamente. Recuperei o peso que perdi, voltei a fazer meus trabalhos voluntários que tanto gosto e sinto que tudo melhorou, inclusive me tornei Diretor Executivo de uma importante Ong da Cidade, a partir de janeiro de 2017.
Minha atual vontade é de continuar como um profissional autônomo e mesmo com toda a correria do dia a dia de um correspondente, me sinto bem melhor que antes e consigo ver uma luz no fim do túnel.
Não estou ainda como gostaria de estar, ainda não zerei as dívidas que fiz e nem recuperei a parte financeira, mas estou melhor, mais feliz, mais vivo e com uma vontade enorme de crescer.
Esse ano foi um desafio para esse advogado que vós escreve, e se pudesse colocar isso em um gráfico, diria que em fevereiro estava no topo aonde permaneci até março, em abril comecei a cair, julho despenquei, mas em agosto voltei a subir e me encontro em contínua subida e assim pretendo continuar no próximo ano, se Deus quiser e tenho a certeza de que estou na trilha certa. Vamos que vamos. Ave Fênix ressurgindo das cinzas!

domingo, 17 de julho de 2016

Minha experiência em Porto Alegre.

Em março deste ano eu resolvi me aventurar em um novo desafio.
Fui convidado a ser gerente de um setor de uma empresa de logística jurídica, a Doc9, sediada em Porto Alegre/RS, na qual tive a oportunidade de montar uma equipe maravilhosa de seis pessoas as quais se tornaram meus amigos.
Sim, eu não sei trabalhar e ser frio a ponto de não ser amigo das pessoas, mas sei dividir o profissional do pessoal quando necessário.
Para começar, eu inventei de levar comigo uma pessoa a qual trabalhou comigo em outro escritório e deste saiu quando eu sai, mas antes disso, vou contar como foi meu primeiro dia na empresa.
Deixei o meu carro em uma rua aonde tinham outros carros e para a minha tristeza, logo no primeiro dia, meu carro teve a bateria cortada, o vidro quebrado e levaram o meu estepe, já tendo uma despesa para compra de outra roda e pneu, além da bateria, o seguro cobriu o conserto do vidro e fui embora para casa de guincho logo no primeiro dia de trabalho e no segundo e terceiro de ônibus.
Após isso, passei a deixar o carro em um estacionamento, tendo mais uma despesa mensal, além de tantas outras que tive tais como aluguel de imóvel, condomínio, seguro-fiança e tantas outras.
E sobre minha "amiga" que levei para morar e trabalhar comigo, bom, ela foi a minha grande decepção, pois além de não ter preenchido minhas expectativas e ter se mostrado totalmente diferente do que ela era no outro emprego, em casa parecia que eu estava com uma pessoa estranha a qual se isolava em seu quarto e praticamente não conversava. Na empresa, fazia corpo mole e ainda tentava contaminar a equipe com suas ideias e reclamações, além de declarar-se várias vezes de que não estava gostando, então eu outra opção não tive senão em demiti-la. Veja só, eu fui obrigado a separar o profissional do pessoal, coisa que ela não soube fazer, e após essa demissão ela resolveu voltar para São Paulo e eu lá fiquei sozinho, e tenho isso como a maior decepção do ano.
Sobre Porto Alegre, bom, não achei tudo o que diziam, é uma mistura de cidade grande com praia, um lugar extremamente perigoso, aonde você não podia sequer pegar seu celular na rua, pois corria o risco de ser furtado ou roubado, inclusive dentro de ônibus. As pessoas lá costumam dirigir com os vidros dos carros fechados com medo de serem assaltadas.
As notícias no jornal da sete se resumiam a assaltos, homicídios e quase não se via policiais nas ruas, detalhe, no Centro de Porto Alegre em um passeio com minha mãe e irmã, um policial que estava em cima de um cavalo, simplesmente soltou um: "vamos sair da frente".
A maioria das pessoas são fechadas, nada receptivas e em cinco meses que eu morei lá, minha vizinha somente falou comigo para reclamar que a minha cachorra estava uivando, nada mais além disso.
As únicas amizades que fiz foram os colegas de trabalho e a equipe que montei, zelei e mantenho contato até hoje.
Mas o trabalho, ah o trabalho era uma rotina a qual eu não gostei, me vi de uma hora para outra preso dentro de uma empresa, sem aquela rotina de um advogado, audiências, diligências, Fóruns e o dia-a-dia jurídico. Fora isso, juntou a saudade da família, dos amigos e do que eu sou e tenho no Interior de São Paulo.
Então, como já escrevi na matéria "o advogado que decide retornar", eu decidi voltar, rescindi um contrato de locação e agora estão querendo meus dois rins de multa e outras despesas que eu pelo menos entendo descabidas e terei um trabalhinho para resolver, além de não ter conseguido guardar dinheiro e só ter tido despesas.
E hoje eu me tornei um correspondente jurídico desta empresa na minha região e desenvolvo o meu trabalho com advogado, exatamente o que eu gosto de fazer e decidi cuidar do meu próprio escritório, sem vínculos, sem rotinas, apenas mantendo a eficiência e responsabilidade que sempre tive.
Mas eu agradeço pela coragem que tive e experiência que vivi e acredito que não seja uma questão de perfil, pois já fui coordenador em outro escritório, mas era um escritório de advocacia e lá era um misto de interno com trabalho externo.
E acredito ainda que fica aqui a lição que não devemos nos arrepender de nossos atos, eis que melhor se arrepender de tentar do que de não ter tentado.
E levo esse entendimento sempre comigo: "É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder. Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver" - Martin Luther King.

domingo, 10 de julho de 2016

Diário de bordo de um advogado: Um Novo Caminho.


A maravilhosa sensação de se estar com a sua família e no seu habitat natural. Exatamente isso que estou sentindo desde o meu retorno nesta última sexta-feira.
Eu me perdi, eu quis tentar algo que não deu certo e não tive vontade mais de levar à frente e decidi voltar, mas nesse período que passei há mais de 1.000 km de distância de casa acredito que tenha feito um excelente trabalho, até pelo feedback que tive, além de ter conquistado uma equipe, a minha talvez última equipe de seis pessoas as quais se tornaram meus amigos, e, com quem eu não só tive a honra de ensinar mas também de aprender e plantei por lá a semente do carinho e da amizade e tenho certeza que irei colher excelentes frutos.
Mesmo sem saber o que e como será agora, eu me sinto mais disposto, mais feliz e mais forte e tenho certeza de que o Plano Superior me reserva muito mais e eu não vou ficar triste, não irei reclamar, tampouco me arrepender destes quatro meses que passei distante da minha família e do meu canto.
A viagem de volta foi uma aventura e longa e eu apenas queria chegar.
Saí de Porto Alegre às 05:30 da manhã de sexta-feira, depois de ter dirigindo já por quatrocentos quilômetros, fui parado pela Polícia Federal e diante de um pequeno problema o qual deixei passar despercebido, não tinha como prosseguir viagem, com uma pequena mudança dentro do carro e meus dois cachorros e como advogado, vocês não imaginam o quanto eu mesmo me xinguei.
Porém, Deus coloca anjos em nosso caminho e talvez aquela interrupção tenha sido proposital para que fosse evitado algo pior e eu prossegui a viagem sim, porém, rebocado até minha Cidade, mas cheguei bem e praticamente no dia seguinte, pois já era um pouco mais da meia noite.
Eu apenas agradeci, abracei minha mãe, irmã e sobrinha e prometi não fazer novamente algo tão doido e aventureiro.


Prefiro agora ficar nas audiências, nas diligências, nos pequenos e grandes clientes e prosseguir o meu caminho, sem saber ainda por onde, na verdade eu sei, mas aberto às novas possibilidades e oportunidades e depois de tanto tempo, agora como um verdadeiro profissional liberal, sem vínculos com escritórios, apenas dando início ao meu novo caminho. Deus me ajude e proteja.