quarta-feira, 19 de outubro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ser ou não ser, eis a questão!

Poderia ser uma peça de teatro, mas não é, na verdade trata-se da minha vida profissional.
Quando estava na faculdade eu queria ser Juiz de Direito, cheguei a prestar o exame umas quatro vezes e não passei.
Fiz cursinho, estudei sozinho e no final eu simplesmente cansei.
Talvez a palavra correta não seria cansei. Quando se tem um monte de contas para pagar, se mora sozinho e tem que se virar, o tempo é escasso e a minha vontade de estudar, sei lá aonde foi parar. Eu simplesmente estacionei e não consigo sair do lugar, no que tange aos estudos me refiro.
Por outro lado, eu trabalhei em um grande escritório por longos cinco anos e meio, mas blá, blá, blá, acho que as pessoas já se cansaram de ouvir eu falando disso.
Fui para Porto Alegre, resolvi voltar, também já escrevi sobre isso e agora, atualmente, sou correspondente jurídico, também já escrevi sobre isso e não vou ficar igual a um papagaio repetindo.
Me perguntaram lá na página como era ser correspondente?
Bom, vou tentar não ser prolixo.
Ser correspondente é ser dono do próprio nariz, é poder ir para o Fórum a hora que você entender, desde que você cumpra os seus prazos, é não dispensar trabalho e quando você não pode atender, ter a humildade de repassar para algum amigo, mas nunca recusar, claro, trabalho digno, não para ganhar farelos, mas também de migalhas em migalhas no final do mês temos algum dinheiro para pagar, por exemplo, a nossa internet, e, sinceramente, é melhor ter do que faltar.
Por outro lado, por vezes, somos surpreendidos por uma contratação que aparece porque alguém te indicou e essa contratação, salva aquele trabalhinho que você fez por um farelo.
Ser correspondente é ir para o Fórum para tirar cópias de urgência, arrumar as fotos na sala da OAB, suando frio porque o tempo está se encerrando, fazer upload naquelas máquinas excelentes (um pouco de ironia), mas que agradeço, pois sem elas não teria conseguido, depois sair correndo para fazer mais cópias, correr para o outro Fórum fazer uma audiência, ter que dar aula para preposto e instruir muito bem testemunhas, e, mostrar que você sabe, pois senão, não terão outras audiências daquele cliente, e, o principal, tudo isso sem almoçar.
E eu que criticava quem comia bolachinhas na sala da OAB, olha vou te falar, nunca agradeci tanto por aquelas cinco bolachas de maisena que comi hoje com um cházinho maneiro, antes da minha audiência, vou te falar, mudou o meu humor.
Ser correspondente, é correr para o  escritório com tempo de vincular tudo no sistema do cliente, receber ligação para ir ao Fórum fazer um protocolo no Cartório de um rol de testemunha, e, ir, claro, ou indicar alguém que possa ir por você.
Mas por outro lado, e não vou me estender muito no que mais um correspondente faz, é não ter que aguentar desaforo de chefes, ordem de gestores, ter uns 40 prazos na sua pauta e não ficar no escritório até nove horas da noite para dar conta de tudo e no dia seguinte ter mais outros 40, talvez 50, isso acontece no contencioso de massa.
Tem os pontos favoráveis e os desfavoráveis, como por exemplo, você não ter um salário fixo, em um mês bombar e no outro se ferrar.
E tudo depende, qual o seu ponto de vista? O que você prefere?
Eu já fui interno, já fui coordenador, já fui gerente, já fui audiêncista, hoje, eu sou um misto disso tudo e sinceramente, por vezes bate um certo desespero sem saber para que lado correr.
E, vou aqui, continuar fazendo o meu melhor e se surgir uma boa oportunidade, nada impede de eu voltar a ser interno, coordenador, pleno, sênior ou seja lá o que as portas do destino escancarar na minha frente e do que eu estiver disposto no momento a fazer e tudo dependerá de quão bem eu esteja e do quanto eu irei precisar.
Ser ou não ser correspondente e dono do seu próprio nariz, eis a questão!